A Dressage na equitação Western
Sandra Dias da Cunha, instrutora de equitação Western, mostra-nos como é a “Dressage”na equitação Western apresentando-nos a disciplina de Horsemanship, passando pela sua origem, objectivos e alguns dos exercícios praticados.
por: Sandra Dias da Cunha com fotografias de: Bruno Barata
Em 2007 frequentei uma clínica de dois treinadores alemães, Norbert Gleissner e Rike Garke, que me foi sugerida por um amigo como sendo uma clínica de equitação de forma “soft”. Se me tivessem dito a verdade, que o que estes treinadores fazem é Western, muito possivelmente não me teria inscrito nessa clínica.
As minhas ideias sobre Western vinham de duas fontes: por um lado dos filmes de cowboys e por outro o pouco que tinha visto sobre reining em revistas e na televisão: os espectaculares spins e slides que até a Anky van Grunsven começou a praticar há alguns anos. Penso que são essas as imagens que a maioria dos portugueses associam à suposta disciplina Western.
Digo “suposta disciplina” porque o Western não é uma disciplina como a nossa dressage ou o salto de obstáculos mas sim uma maneira de montar diferente, que contem muitas disciplinas diferentes. Alias, os americanos chamam à nossa maneira de montar “English”.
O que significa então Western? É uma maneira diferente de montar, quer em termos do equipamento – as famosas selas e cabeçadas dos cowboys – quer nas ajudas que damos ao cavalo. Mas aquilo que fazemos com o cavalo, qual a nossa disciplina, essa é outra questão.
Hoje em dia são reconhecidas cerca de vinte disciplinas diferentes no Western, embora só uma única, o reining, seja uma disciplina reconhecida internacionalmente pela FEI. O reining é emocionante e espectacular, mas não tem muito a ver com a forma de montar “soft” que eu procurava.

Felizmente, os treinadores Norbert e Rike ensinam Western mas não reining. As disciplinas deles são o trail e o horsemanship. Trail é uma disciplina algo parecida com a prova de maneabilidade da equitação de trabalho, embora nunca na sua vertente rápida. É uma disciplina muito divertida e exigente, mas aquilo que me captou a mim, no final, foi a disciplina horsemanship.
A meu ver, o horsemanship é uma forma de dressage ao estilo Western. Em vez de fazer figuras no picadeiro, orientado pelas letras dele, o cavaleiro mostra figuras idênticas ou muito parecidas, mas orienta-se por três pins colocados ao longo de uma linha.
Veja neste link um exemplo de um “pattern” de horsemanship (“pattern” é o equivalente à nossa reprise de ensino). As figuras podem incluir desde um simples círculo, um oito ou um arco, progredir para paragens e recuar, até piruetas, movimentos laterais e passagens de mão a galope.
A avaliação de uma prova de horsemanship é muito parecida com a avaliação no ensino, no sentido que cada figura recebe uma pontuação, mas também é diferente, porque é dado muito mais atenção ao cavaleiro, isto é ao uso correcto das ajudas, do que ao cavalo.
Com estas semelhanças, porquê montar Western em vez de procurar a dressage que encontramos tão facilmente em Portugal? No meu caso, a resposta é: por causa das ajudas “soft”, que ainda estou a aprender dos meus treinadores humanos e dos meus professores equinos. No horsemanship, as ajudas nunca são mais do que um sinal que ninguém excepto o cavalo nota. Um sinal que se dá uma única vez, por exemplo “galope”, e que é valido até ordem em contrário. É uma forma de montar que é fisicamente muito mais descontraída.
Tem lógica… os cowboys passavam o dia inteiro a montar. Não podiam desperdiçar energia muscular. Também não fazia sentido desperdiçar a força do cavalo. Daí a forma de “colocar” o cavalo tão para baixo. Não é tão elegante como um cavalo erguido no ensino, mas pensem só que isso salvaguarda as costas do cavalo por mais tempo.
A raça de cavalos que surgiu dessa forma de montar, o “quarto de milha”, é mais curta e mais baixa que os cavalos que se vêem no ensino, eles têm uma postura muito menos erguida à partida e um ângulo pouco acentuado no ombro, o que torna os seus andamentos tão confortáveis. Andamentos tão confortáveis que os cowboys podiam passar horas e horas a trote lento, o chamado jog, sem se cansarem.
Dada a forma descontraída e confortável de montar e dado o contacto intensivo com o animal, o Western torna-se uma forma de montar ideal para o cavaleiro de lazer. Hoje em dia pratico e ensino Western Horsemanship no Centro Hípico da Costa do Estoril, escola que é mais conhecida pela equipa de competição em dressage, mas onde já temos cinco cavalos metidos a Western e três poldros “quarto de milha” para assegurar o futuro desta disciplina.

Em Novembro, os meus treinadores Norbert (na foto, à esquerda, com Sandra Dias da Cunha) e Rike estarão cá mais uma vez para ministrar uma clínica. Para mais informações, contacte-me para o meu email: sandra@centrohipico.pt ou venha visitar a nossa página no Facebook.
Ver artigo relacionado
Equitação Natural: Lições para a Dressage, por Sandra Dias da Cunha










