Cavallias… um desafio ao Lusitano!
2009-12-02 12:53 amEduardo Fischer, do Haras Villa do Retiro, deu a conhecer o projecto Cavallias numa apresentação pública que decorreu no passado dia 12 de Novembro, na Golegã. Em entrevista à Dressage Portugal, o criador reforçou os aspectos fundamentais deste projecto, bem como os motivos que estiveram na sua origem
artigo por Camila Rodrigues | entrevista por Ana Escoval | fotografia por Gonçalo Soares
Hayley Beresford | Eduardo Fischer | Carlos Pinto
Em linhas gerais, a Cavallias é uma sociedade que pretende acolher os cavalos lusitanos com maior potencial para a dressage, oriundos de diversos criadores, e assegurar uma gestão profissional da sua carreira desportiva, para que possam competir ao mais alto nível. Será assim possível potenciar o desenvolvimento morflógico e funcional do cavalo, favorecendo a sua progressão neste competitivo meio desportivo.
A pedra basilar da Cavallias consiste precisamente na união dos criadores em torno de objectivos comuns, o que, na opinião de Eduardo Fischer, é fundamental se se pretende que a raça ascenda aos patamares mais elevados da competição. Nas suas palavras, “as nossas conquistas vão ser muito lentas se continuarmos sozinhos”, na medida em que subsistem numerosas barreiras, relacionadas com um mercado restrito e com a competição com outras raças.
Eduardo Fischer caracteriza esta ideia como corajosa e inovadora, dado que pretende “juntar o que existe de melhor no cavalo lusitano no mundo”. O criador acrescenta que “esforços conjuntos sempre são mais fáceis na prossecussão dos objectivos, pelo que convido as pessoas que acreditam nos seus cavalos a aliarem-se na Cavallias, por forma a que estes façam uma carreira internacional. A Cavallias é o primeiro instrumento que existe para esse efeito”.
Remetendo para a experiência por si adquirida nesta área, bem como para os resultados já alcançados, Eduardo Fischer recorda o progresso efectuado pelo Haras Villa do Retiro nos últimos 18 anos. Visando desde o início a criação de cavalos lusitanos para a dressage de mais alto nível, foram seleccionadas éguas com aptidão desportiva, com capacidade para originar bons produtos tanto a nível morfológico como funcional. A selecção com estes objectivos surtiu resultados animadores, tendo o Haras ganho quase todas as provas morfológicas do Brasil. Após a confirmação do sucesso morfológico, foi necessário testar os produtos quanto à sua funcionalidade. Inicialmente foram ganhas provas no Brasil e posteriormente ao nível da América do Sul. O Haras foi o primeiro a colocar um cavalo ao nível Pan-americano, precisamente o pai do Relâmpago, o qual obteve uma classificação meritória.
O maior desafio consistiu no envio dos cavalos para a Europa, especificamente para a Alemanha, na expectativa de os colocar nas mãos de grandes cavaleiros. Isabell Werth colaborou na busca por um cavaleiro de nível internacional que os montasse em competição, dado que ela própria está limitada a cavalos alemães, por imposição contractual com o seu patrocinador.
Foi por seu intermédio que Hayley Beresford, de nacionalidade australiana, assumiu o Relâmpago do Retiro, com o qual participou nos Jogos Olímpicos ao fim de apenas 6 meses de trabalho conjunto, tendo alcançado o 18º lugar, a melhor posição de sempre de cavalos de origem brasileira ao nível individual, e a melhor posição de um puro sangue lusitano.
Também o cavaleiro olímpico português Carlos Pinto integra este projecto, assumindo a preparação dos cavalos com uma morfologia mais clássica, da linhagem do Poderoso. Tanto Carlos Pinto como Hayley Beresford estão a competir ao mais alto nível com cavalos do Retiro, sendo os resultados alcançados até ao momento bastante animadores. Está prevista a sua participação na final da Taça do Mundo em Frankfurt, nos próximos dias 17 a 20 de Dezembro, tornando a Villa do Retiro na única coudelaria de puro-sangue lusitano do mundo a ter dois cavalos nesta competição, um facto sem precedentes.
Eduardo Fischer não procura restringir o sucesso alcançado à sua coudelaria, antes gostaria de o alargar ao universo do cavalo lusitano, por forma a beneficiar a raça em geral. Com o conhecimento por si adquirido ao nível da gestão de empresas, o qual não se restringe à área equestre, o criador pretende “olhar para a frente com calma e humildade e pensar no que podemos fazer juntos, para construir um destino melhor para o puro sangue lusitano de alto nível”.
Na sua opinião, “não há ninguém que possa ser contra fazer sempre melhor e sempre numa direcção positiva”, pelo que é fundamental investir seriamente nos cavalos que precisam de estar a competir ao mais alto nível, na Alemanha e na Holanda. Na sua perspectiva, “há cavalos de grande qualidade que no meu modo de ver estão perdendo tempo aqui. Têm que ir para lá”.
Até onde será possível levar o cavalo lusitano? Eduardo Fischer assume aqui a sua ambição: “será que a gente pode ter o Totilas de amanhã? Não duvido”.











