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Como escolher o melhor alimento para o seu Cavalo?

Para que a escolha da melhor alimentação para o seu cavalo deixe de ser uma decisão tão difícil, a Dressage Portugal deixa-lhe aqui os conselhos de Luís Fernando da Veiga, Engº Zootécnico, para que consiga avaliar qual o melhor producto que satisfaça as necessidades do seu cavalo.

Muitas vezes as pessoas ligadas ao sector dos cavalos são abordadas por agentes de mercado, com propostas de alimentos concentrados. Os critérios de escolha variam pois há um pouco de tudo no mercado, quer por parte de quem vende, quer por parte de quem compra.

Por parte de quem compra há os que são fiéis a uma marca por diversas razões, existem aqueles (a grande maioria) que saltitam em função do preço por Kg de alimento, os que seguem modas ou correntes, os que são sensíveis a evoluções técnicas dos produtos, os que seguem o que o vizinho faz, os que seguem o que o veterinário aconselha, os que por terem um amigo ou parente relacionado consomem uma determinada marca, os que abominam granulados, os que só querem granulados, os que só querem flocos, os que não querem flocos, os que odeiam melaço, os que quanto mais melaço melhor, os que só querem cereais inteiros, os que não querem nem um grão de aveia inteiro, enfim, os critérios são amplos difusos e muitas vezes pouco previsíveis.

Por parte de quem vende, existe quem ofereça preço (a grande maioria), quem proponha mais-valias técnicas ou inovações, quem pura e simplesmente denigra a concorrência para se valorizar, quem apresente clientes de referência, quem proponha ensaios de consumo, quem ofereça patrocínios megalómanos, aqui os comportamentos também são variados e dependem muitas vezes das estratégias comerciais das empresas da ética e capacidade técnica do vendedor.

Coloca-se então uma questão importante, que critérios utilizar para de forma coerente seleccionar a melhor opção?

Em primeiro lugar é fundamental conhecer o que come cada cavalo, quantos quilos de feno e concentrado (poucos são aqueles que sabem de forma correcta quantos quilos de alimento comem os seus cavalos). Nesse primeiro passo existe um parâmetro incontornável. Os cavalos são herbívoros monogástricos, preparados do ponto de vista fisiológico para comer e digerir forragens. A necessidade de fornecer cereais deve-se à utilização desportiva que foi fazendo com que os equídeos de hoje sejam verdadeiros atletas. As necessidades de energia para crescer, aleitar, reproduzir e praticar modalidades são na grande maioria dos casos superiores ao que as forragens disponíveis no nosso país podem fornecer. Como existem limites para a ingestão isso provoca a necessidade de complementar, e atenção que o correcto é mesmo e apenas complementar a alimentação forrageira com cereais.

fenoOs cavalos com actividade moderada não devem em nenhuma circunstância ultrapassar a razão 60/40, forragem/concentrado. Assim um cavalo de 500 Kg de peso deverá em média ingerir cerca de 10 Kg de matéria seca por dia ora isto corresponde, grosso modo, a cerca de 6 Kg de feno e 4 Kg de alimento concentrado. Esta razão sendo respeitada tem logo dois significados, o primeiro é que a forragem utilizada tem um correcto aporte energético (boa digestibilidade) e que o concentrado faz o seu trabalho de complementar correctamente do ponto de vista da energia. Á medida que a quantidade de forragem sobe e baixa o concentrado vamos estando cada vez em melhor situação alimentar e se a razão se inverter é sinal que existe um mau balanço alimentar. É frequente ver a relação entre forragem e concentrado completamente desequilibrada. Um excesso de concentrado relativamente à forragem coloca os animais em risco, o pH do intestino é alterado, desenvolvem-se mais bactérias que digerem os açúcares dos cereais o ácido láctico produzido resultante desta alteração acaba por causar a morte das bactérias naturais que digerem as fibras, o desequilíbrio leva à produção de toxinas endógenas e os riscos de cólicas e laminites sobem exponencialmente. Mesmo que a forragem esteja disponível à descrição a razão 60/40, forragem concentrado continua a ser válida para cavalos de esforço moderado (que são a esmagadora maioria). Em suma respeitar uma boa razão entre forragem e concentrado é o primeiro passo para saber se estamos na presença de um bom alimento composto complementar.

medidaO segundo passo depois de verificar se o balanço alimentar está correcto é saber se o alimento tem todos os nutrientes necessários para garantir a cobertura das necessidades dos cavalos, aqui já pode ser útil a ajuda de um especialista, mas não é nenhum quebra cabeças verificar no saco (ou ficha técnica) a presença dos nutrientes essenciais: proteína, lisina, cálcio, fósforo, magnésio, zinco, cobre, cobalto, iodo, ferro, manganês, selénio, vitamina A, vitamina D, vitamina E, vitamina B1 e B2. O potássio e enxofre devido à nossa localização geográfica e tipo de forragens nunca estão em carência e o cloro e sódio devem ser fornecidos (em pedras de sal ou electrólitos) à parte pois os alimentos concentrados para poderem conter o sal (NaCl) necessário tornar-se-iam perecíveis e com baixa palatibilidade. Se estes nutrientes não estiverem presentes então está a dar um alimento incompleto e que pode potenciar problemas futuros. Problemas que limitem o crescimento ou o potencial desportivo destes animais. Da mesma forma que os estudos que revelam as necessidades em azoto de uma cultura de milho provaram ao longo dos anos estarem correctos para o desenvolvimento e produtividade das plantas. As determinações de necessidades mínimas para a alimentação de equídeos são essenciais para garantir o potencial competitivo dos animais.

concentrado Em Portugal a esmagadora maioria dos alimentos concentrados não contém os nutrientes provados cientificamente serem essenciais, e pior não são sequer equilibrados em cálcio e fósforo dois macrominerais muito importantes na regulação e constituição do tecido ósseo. O terceiro passo após verificado que forragem e concentrado estão nas correctas proporções (equilíbrio alimentar e energético correcto) e que o concentrado tem os nutrientes essenciais presentes, trata-se de saber se as quantidades estão correctas. Como ? É simples ou através de conteúdo na internet, livros, etc. Ou a melhor forma, é requisitar ao técnico responsável pela venda do alimento uma análise à forragem utilizada e pedir uma ficha de arraçoamento onde se verifica a composição e quantidade de todos os alimentos presentes na dieta, as necessidades e o balanço final respondendo assim a se há cobertura das necessidades e por outro responsabilizando a marca do concentrado pela composição rigorosa do seu produto