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Como detectar e sentir uma claudicação (parte I)

Da autoria de Dr. Luís Miguel Atayde e Dr. Mário Galiza Mendes apresentamos um artigo sobre um tema recorrente na equitação - a claudicação. Sendo um problema frequente nos cavalos de desporto, é de extrema importância saber identificar o seu aparecimento, sendo por vezes uma tarefa difícil, que exige algum treino e sensibilidade por parte do observador seja veterinário, cavaleiro ou proprietário.

 autoria: Dr.Luís Miguel Atayde | Dr.Mário Galiza Mendes

 A claudicação poderá ser detectada tanto pelas alterações que provoca no andamento normal do cavalo, com poderá ser sentida pelo cavaleiro, devido às dificuldades e resistências que possam surgir no cavalo ao realizar determinados exercícios.

Quando observamos os andamentos do cavalo, deveremos faze-lo tanto de frente como de perfil e de trás (fig. 1). Para detectarmos a claudicação normalmente visualizamos o cavalo a trote, pois a passo só se visualizam claudicações de grau elevado.

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Para facilitar a detecção de uma claudicação será importante estarmos familiarizados do modo como se processa o andamento normal do cavalo.

O trote é um andamento em que o membro posterior esquerdo chega ao solo ao mesmo tempo que o anterior direito, seguindo-se um período de suspensão, chegando de seguida o membro posterior direito e anterior esquerdo simultaneamente ao solo.

Caracterizamos assim, o trote como um andamento saltado, porque tem um período de suspensão; de dois tempos (batidas) porque se ouve os membros a tocar no solo por duas vezes antes de se completar um ciclo; e por fim, é um andamento diagonal porque os membros que chegam no mesmo tempo ao solo são diagonais (posterior esquerdo / anterior direito e posterior direito / anterior esquerdo) (fig. 2).

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Perante uma claudicação temos que descobrir qual o membro que está doloroso. Durante o apoio do membro afectado o cavalo vai tentar aliviar a força de embate no solo, provocando alterações visíveis na locomoção.

Uma das alterações que podemos observar é o elevar da cabeça (fig. nº 3A), no caso da dor se localizar num membro anterior, ou o elevar da garupa (fig. n.º 3B), no caso da dor se localizar num membro posterior, quando o membro afectado embate no solo.

Estas claudicações em que o cavalo contrabalança com o movimento da cabeça / garupa para aliviar o peso no membro afectado, são as mais fáceis de detectar, mas nas claudicações mais ligeiras poderá este movimento não ser observado.

Outra alteração que o observador deverá estar atento é a força de embate do membro no solo, podendo esta força ser avaliada pelo grau de extensibilidade do boleto. No apoio do membro sem dor, verificamos que o boleto fica mais estendido e mais baixo, quando comparamos com o apoio do membro com dor (fig. nº 4).

Também, devido às diferentes forças de apoio dos membros, poderemos ouvir o som provocado pela batida com uma intensidade menor ou maior, consoante o membro afectado ou o saudável chegam ao solo, sendo este som mais alto quando a força de embate é maior, por conseguinte quando o membro saudável bate no solo.

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Outro ponto que o observador deverá estar atento, é na possibilidade de erro de diagnóstico quando se tenta detectar uma claudicação.

O erro comum deve-se ao facto do apoio dos membros no trote ser feito por diagonais, levando isto a que se possa confundir a claudicação em diagonal, por exemplo um cavalo com dor no membro posterior direito, alivia o peso quando a diagonal posterior direito anterior esquerdo chega ao solo, podendo neste caso a claudicação do posterior direito ser erroneamente diagnosticada como uma claudicação do anterior esquerdo.

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Poderemos ter vários tipos de claudicação, numas a dor acontece quando o membro embate no solo (claudicação do membro de apoio), noutras a dor surge quando o membro se desloca no ar (claudicação do membro em suspensão) (fig. nº 5).

Normalmente as claudicações do membro de apoio devem-se a problemas ósseos ou articulares das extremidades distais dos membros, estruturas estas mais forçadas no apoio do membro. Enquanto as claudicações do membro em suspensão são provenientes na maior parte das vezes de problemas a nível muscular / ligamentar da parte proximal do membro ou das articulações proximais (ombro e soldra), estruturas estas mais forçadas quando o membro se desloca no ar.

Estes dois tipos de claudicação, comportam-se de maneira diferente em determinados tipos de exercícios. No caso das claudicações do membro de apoio vão ser exacerbadas nos círculos em que o membro afectado se encontra do lado de dentro, isto porque os membros do lado de dentro do círculo suportam mais peso e efectuam mais força no embate com o solo, isto tanto devido à encurvação ao lado de dentro como à força centrípeta. Já as claudicações do membro em suspensão são exacerbadas nos círculos em que o membro afectado se encontra do lado de fora, isto porque os membros do lado de fora têm que fazer um círculo com um diâmetro maior tendo assim uma deslocação mais ampla (fig. nº 6).

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Muito importante para ajudar no diagnóstico de uma claudicação é, em simultâneo, o veterinário compreender os dados que o cavaleiro fornece, e o cavaleiro saber transmitir os dados ao veterinário. Isto porque, muitas claudicações poderão ser ligeiras no exame clínico de rotina, mas sentidas pelo cavaleiro como dificuldades que o cavalo apresenta ao longo do trabalho.

No trabalho a trote os membros que suportam mais peso são os do lado da encurvação. Quando temos uma claudicação o cavaleiro poderá sentir dificuldades no trabalho a trote para a mão em que o membro afectado se encontra do lado dentro. Por exemplo um cavalo com dor no membro anterior esquerdo poderá ter dificuldades no trabalho para a mão esquerda, pesar na rédea esquerda, ter uma resistência e ficar “duro” à esquerda (fig. nº 7). Uma defesa que o cavalo poderá adoptar, quando se encurva para o lado do membro que lhe dói, é fixar a garupa do lado dentro e assim transmitir o peso e força de apoio para a espádua de fora (fig. n.º 8).

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Nas claudicações do membro em suspensão, o cavalo terá dificuldades nos alargamentos de trote, principalmente quando são feitos num círculo em que o membro afectado se encontra do lado de fora (fig. n.º 9).

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Para compreendermos as dificuldades que o cavalo poderá ter no galope, deveremos estar familiarizados de como se processa este andamento em condições normais. O galope é um andamento saltado, porque tem um período de suspensão. Tem três batidas (tempos), sendo a primeira batida realizada quando posterior do lado de fora chega ao solo, a segunda batida quando a diagonal posterior de dentro e anterior de fora chagam ao solo, e por fim a terceira batida quando anterior de dentro chega ao solo (fig. nº. 10). Os membros mais forçados no galope são os que chegam sozinhos ao solo (posterior de fora e anterior de dentro) (fig. nº 10) e os membros que dão a impulsão (empurram) no galope são o anterior e posterior de fora.

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Por exemplo um cavalo com uma claudicação do membro posterior esquerdo, vai apresentar dificuldades a sair a galope para a direita, pois no galope para a direita, o posterior esquerdo (de fora) vai ser o mais forçado (fig. n.º 11 c). No galope para a direita vai desunir-se passando a primeira batida a ser realizada pelo posterior direito, a segunda batida posterior esquerdo anterior esquerdo e a terceira batida anterior direito, assim o cavalo alivia o esforço do membro posterior esquerdo, deixando este de apoiar sozinho no solo (fig. n.º 12). O cavalo vai ter dificuldades nas passagens de mão da esquerda para a direita, precipitando o galope ou atrasando o posterior, devendo-se isto ao facto do cavalo passar a apoiar o membro dolorido sozinho no solo.

Um cavalo com claudicação de um membro anterior, tem tendência a picar o galope quando galopa para o lado contrário ao da mão afectada, isto porque, o membro anterior de fora em conjunto com o posterior de fora serem os membros que mais impulsão imprimem ao galope, estando o membro anterior de fora lesionado essa impulsão será limitada e o cavalo em vez de sair para diante cai sobre as espáduas (fig. n.º 13)

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