Entrevista | Edward Gal
Edward Gal, o cavaleiro que em 2009 estabeleceu por duas vezes um novo recorde para a modalidade no Grande Prémio Freestyle com o cavalo Moorlands Totilas, fala-nos da sua fantástica experiência com Toto, do seu percurso como cavaleiro e dos projectos para o futuro.
Entrevista e fotografias por: Ana Escoval
Foi com extrema amabilidade e simpatia que Edward Gal acedeu a ser entrevistado para a Dressage Portugal durante o Olympia Horse Show, em Londres, na manhã do dia 16 de Dezembro.
Nessa mesma noite o cavaleiro e o seu cavalo Totilas viriam a superar-se mais uma vez, batendo o recorde estabelecido em Windsor a 29 de Agosto, e alcançando a média de 92,30%.
A par das inesquecíveis prestações que nos proporcionou no Grande Prémio e no Grande Prémio Freestyle, o cavaleiro ainda executou, durante a tarde, uma masterclass com a égua Shister de Jeu (KWPN, por Gribaldi) com que actualmente também compete em Grande Prémio, demonstrando uma sessão de treino habitual que também aqui apresentamos.
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DP – Como é que os cavalos entraram na sua vida e porquê a Dressage?
Edward Gal (EG) - Quando tinha 14 anos fui convidado por um colega de escola para ir experimentar a montar. Aproveitámos umas lições que tinham sobrado da sua irmã que entretanto desistira. Pensei… vou experimentar, pode ser divertido. Depois de 3 lições ele parou e eu continuei a montar. Gostava muito de montar, mas estava mesmo interessado em seguir nos obstáculos pois era o que mais me entusiasmava. Entretanto arranjei um cavalo que revelou não ter qualquer aptidão para saltos… e então desisti dos obstáculos e dediquei-me ao ensino.
Quando eu era mais novo sempre gostei de cavalos e queria ter um, mas nunca tive a oportunidade de montar.
DP – Quando é que assumiu a carreira de cavaleiro de forma mais profissional?
EG - Estudei até aos 23 anos e chegou um momento em que tive que optar por continuar a estudar ou dedicar-me aos cavalos. Decidi estabelecer um prazo de 2 anos para experimentar a dedicar-me exclusivamente aos cavalos e foi um período que correu muito bem. A partir daí dediquei-me por inteiro.
DP – Quem foram os seus principais professores ou referências ao nível da equitação?
EG - Tive alguns professores na escola de equitação, mais tarde também tive aulas privadas e depois treinei com a Anky e Sjef durante alguns anos. Actualmente treino com a Nicole Werner e com Hans Peter Minderhoud. Nós os 3 formamos uma equipa.
DP – Que ensinamentos lhe proporcionou a experiência de trabalho com a cavaleira Anky?
EG - Aprendi com todos os professores que tive, tento aprender algo com toda a gente. Por vezes o principal é concluirmos sobre aquilo que nos serve pior ou melhor, e o que queremos para o nosso caminho futuro.
DP – E o que tem a dizer do trabalho com esta nova equipa?
EG - É uma experiência que está a correr muito bem. Nós trabalhamos em conjunto no mesmo centro de treino e resulta realmente muito bem. Eles estão lá todo o dia e ajudamo-nos mutuamente. Como o Hans Peter também monta, o trabalho funciona muito bem porque observamos o trabalho um do outro e temos ainda a supervisão da Nicole que nos vais corrigindo aos dois.
Considero muito importantes ter sempre alguém no chão a observar o nosso trabalho. Outras vezes eu e o Hans Peter trocamos os cavalos entre nós e desta forma podemos partilhar experiências sobre o que sentimos em cada cavalo e avaliar a progressão de cada um.
DP – Quais foram os cavalos que tiveram maior influência no desenvolvimento da sua carreira?
EG - Por certo que foi o meu primeiro cavalo… o que não queria saltar. E se não fosse ele possivelmente eu seria hoje um cavaleiro de obstáculos.
Seguidamente adquiri um cavalo jovem, com cerca de um ano e meio, e foi com ele que, mais tarde, aprendi todos os movimentos até ao Grande Prémio, tendo chegado a competir nesse nível. Foi a partir daí que decidi que era definitivamente isso que queria fazer… montar ao nível do Grande Prémio.
DP – Qual é o exercício ou o momento que mais aprecia no processo de ensino de um cavalo?
EG - Depende um pouco de cada cavalo, pois todos são diferentes, com alguns é melhor trabalhar um pouco mais o trote, com outros a Passage mas eu acho sempre agradável o trabalho de bases com um cavalo novo. Trabalhar os exercícios de base como por exemplo: fazer uma linha direita, ou uma espádua a dentro. É um trabalho que nos satisfaz mais facilmente e que me agrada.
DP – Como é que Totilas entra na sua vida?
EG - Recebemos um DVD de alguém que sabia que ele estava à venda e fomos vê-lo ao vivo e de facto ele pareceu-nos um bom cavalo. Na altura ele tinha 6 anos, e a primeira vez que o montei parecia uma bomba prestes a explodir e eu apeei imediatamente. Na segunda vez que o fui montar, levei comigo outro cavaleiro do meu estábulo que o montou primeiro; o cavalo estava muito excitado durante a primeira volta e depois acalmou. Depois disto eu experimentei-o e senti-me muito bem, mas nunca imaginei que se tornaria no cavalo que é actualmente.
Não acho que seja possível, quando um cavalo é ainda tão novo, prever como vai ser o seu desenvolvimento. Sentia-o o muito bem, mas na altura ele não era capaz de fazer qualquer Piaffer, Passage ou passagens de mão. São variáveis que fazem muita diferença no futuro e que é impossível prever na habilidade do cavalo… mas de facto sempre me senti muito bem a montá-lo.
DP – Do seu ponto de vista o que o torna num cavalo tão especial?
EG - É um cavalo muito fácil no maneio, bem comportado no estábulo, e sempre com vontade de trabalhar e de agradar ao seu cavaleiro. Em termos de andamentos é um cavalo com um bom trote e um bom galope, e com muita facilidade no Piaffer e na Passage que executa muito bem. É raro encontrar um cavalo que reúna todas estas capacidades. Também tem um excelente temperamento… mesmo quando está muito excitado é um cavalo que não o demonstra demasiadamente… é capaz de permanecer quieto se tiver que ser.
DP – Tem algum episódio particular sobre ele que queira partilhar connosco?
EG - … Windsor foi muito especial (risos…). É muito especial montá-lo nas competições porque ele ainda se esforça mais… mas por outro lado sinto que ainda é, de algum modo, inexperiente em grandes competições como é o caso aqui de Londres… é um cavalo novo, tem apenas 9 anos, e tem ainda que se desenvolver mais um pouco.
DP – Qual é a sensação de estabelecer um novo recorde na modalidade?
EG - Foi uma sensação muito boa, ainda que esse nunca tivesse sido um objectivo pré-definido. Apenas… aconteceu! Nós já tínhamos executado algumas reprises de Grande Prémio e sentia o cavalo muito bem, mas em todas as vezes aconteciam alguns erros… uma falha no ladear ou nas passagens de mão… em Windsor tudo estava a correr bem, e eu pensei que a acontecer de facto … poderia ser naquele momento.
DP – Acredita que o Totilas irá estabelecer novos padrões para a raça?
EG - É possível… mas não sabemos, pois ele ainda não foi utilizado como garanhão. Sabemos que há muitos criadores interessados em utilizá-lo e que ele estará disponível como garanhão. Mas não para já, pois não sabemos como é que ele se vai continuar a desenvolver e mudar, e criar já poderia ser arriscado. Primeiro iremos continuar a apostar na sua carreira desportiva.
DP – Quais são os planos para si e para o Totilas a curto e médio prazo?
EG - A nossa próxima competição será em Amesterdão e posteriormente espero participar na Final da Taça do Mundo em Março, e depois os Jogos Equestres Mundiais em Kentucky, sem dúvida!
Os Jogos Olímpicos são também um objectivo mas mais a longo prazo, pois ainda falta algum tempo.
Londres, 16 de Dezembro de 2009.
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Video do Grande Prémio Freestyle no Olympia Horse Show, Londres - 92,30%
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Fotografias e Video da Masterclass com Shister de Jeu no Olympia Horse Show no dia 16 de Dezembro de 2009
Siga este link para a ver o video da Masterclass.


















