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Stefanie Pullin – Cavalo Lusitano inspira jovem pintora

2011-11-22 11:13 pm

Com apenas 20 anos de idade, Stefanie Pullin conseguir juntar as suas duas maiores paixões, os cavalos e a pintura, e com a sua arte e habilidade de captar a expressão do cavalo Lusitano, está a criar um nome na pintura equestre.

por: Sarah Warne

stefanie-pullin-1“Pinto desde que me conheço. A minha mãe era pintora, e eu adorava ficar a seu lado a vê-la desenhar. Comecei a desenhar assim que as minhas mãos foram capazes de agarrar no lápis”, diz Stefanie.


“Adoro criar algo a partir do nada, algo que inspire os outros, algo que saia da minha alma. Sei que soa piroso, mas não há melhor reconhecimento do que o momento em que as pessoas param a admirar o meu trabalho. É como se elas entrassem no meu pensamento por um momento. É como partilhar o que nos vai no íntimo, sem usar palavras ou explicações. Pintar é como uma terapia, onde temos que mostrar tudo sem dizer nada.”

Com 15 das 18 obras expostas vendidas após uma hora da inauguração da exposição, Stefanie considera que esta sua estreia na Feira da Golegã foi um enorme sucesso, e não podia estar mais feliz com os comentários que tem recebido.


“Honestamente que não poderia esperar que corresse melhor. Fiquei completamente surpreendida quando 15 de 18 pinturas foram vendidas tão rapidamente. Houve muita gente interessada nos trabalhos, e muito recompensador saber que as pessoas gostam de estar junto às minhas criações. Foi fascinante observar a sua expressão de satisfação ao observarem as pinturas. Fez com que valessem a pena tantas horas de dedicação.”


Nascida e criada na Guatelama, Stefanie refere que cresceu num ambiente difícil, e que um dia gostaria de contribuir para o seu país - “O meu sonho é abrir uma escola artística na Guatemala e proporcionar o ensino à população que não tem condições para aceder ao ensino. Sinto que se está a perder um enorme potencial que passa despercebido e gostaria de fazer algo para alterar isso. Espero continuar a viver em Portugal, mas intervindo igualmente na Guatemala. Aprendi que tenho que amar os dois países de igual modo, e não consigo imaginar a minha vida sem um dos dois. Mais que tudo quero contribuir para a felicidade das pessoas através do meu trabalho.”

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Apesar de saber que a vida de um artista é por vezes difícil, Stefanie decidiu enveredar pelos estudos artísticos antes de sair da escola, e para isso viajou para Lisboa para estudar Belas Artes na Universidade de Lisboa.


“Quando chegou a altura de decidir o que é que eu queria fazer para o resto da minha vida, não me consegui imaginar a fazer outra coisa que não a pintura”, realça Stefanie.


“Foi o meu pai que me motivou a viajar para Portugal. Eu comecei a pintar cavalos por sua causa. Ele é um apaixonado pelos cavalos lusitanos e comprou um garanhão e uma égua quando eu tinha cerca de 8 anos. Rapidamente fui contagiada pela sua paixão, e após ter frequentado lições de equitação durante alguns anos criei uma forte ligação com os cavalos desta raça. O seu espírito, a sua graça e energia, a sua nobreza e elegância tornaram-se assuntos perfeitos para o meu trabalho.
Portugal tornou-se o local onde as minhas paixões ocorrem naturalmente, o Lusitano e a arte.”


Esta paixão foi a principal inspiração para a exposição na Golegã, intitulada “Nobre Liberdade – Noble Freedom”, que para Stefanie marca o inicio de um trabalho, que pretende desenvolver, pintando os cavalos pelo mundo.


“Na minha opinião os cavalos são os seres mais inspiradores à face da Terra e é isso que me apaixona. Eles são uma combinação perfeita de sensibilidade, força e elegância. Acredito que é uma das criaturas que melhor transmite a profundidade de uma emoção, transmitindo tanta paixão e força nos seus movimentos naturais.


Os cavalos que mais gosto de pintar são os Lusitanos. Foram eles que despertaram esta minha paixão. Isso não quer dizer que não goste de pintar outras raças, mas os lusitanos sem dúvida a minha raça favorita. Para além de cavalos, eu gosto de pintar outro tipo de obras, maioritariamente retratos e mais recentemente composições abstractas.”

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O seu pai foi o seu primeiro cliente, e com esta exposição, Stefanie espera que outras pessoas se sintam motivadas a solicitar-lhe retratos os seus amigos de quatro-patas

“Apesar de todo este sucesso recente, penso que o meu maior feito foi ter tido a força de deixar o meu país para seguir os meus sonhos. Ingressar na Faculdade de Belas Artes também significa bastante, por pertencer a uma universidade tão reconhecida, mas o sucesso aqui na Golegã tem sido um momento muito recompensador.”


Não sendo uma pessoa de ressentimentos, Stefanie gostaria de ter visto o seu trabalho encarado de forma mais séria há mais tempo.

“Amo tanto este trabalho que custa-me acreditar como deixei passar tanto tempo sem que ele tomasse um lugar importante na minha vida, mas possivelmente se não tivesse feito este percurso não seria o que sou hoje. Não teria conhecido as pessoas que conheci nem visitado tantos locais. Mesmo que pudesse, eu não iria alterar nada no meu percurso.


Enquanto a força de viver que a anima advém da sua família, em termos artísticos procura a inspiração em artistas reconhecidos, e claro, na sua mãe, com quem tudo começou.


“Eu admiro inúmeros pintores, principalmente aqueles que ousaram fazer diferente e originaram movimentos artísticos contra tudo e todos. Gaugin, Schiele, Pollock, Bosch e principalmente Rembrant, são alguns dos meus pintores favoritos.


Também admiro muito os meus pais por me terem criado, e aos meus irmãos, e pelo seu apoio contínuo à minha carreira artística.
Não sou muito conhecedora das figuras do desporto equestre, mas admiro muito a sensibilidade e a dedicação destes profissionais, que tal como na arte, requer muito treino, empatia e determinação.


stefanie-pullin-6Com um entusiasmo natural no seu trabalho, Stefanie costuma levar os seus utensílios de pintura para onde quer que vá, porém por vezes a sua mente dispersa, como conta neste episódio.


“Uma vez, acidentalmente, esqueci-me de pintar uma parte do orgão masculino de um garanhão. O cliente veio depois pedir-me para acabar a pintura, e pediu-me para não contar a ninguém que tinha comprado o quadro. Imagino que tivesse ficado envergonhado por ter comprado a pintura de um cavalo hermafrodita.”

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Determinada a pintar o cavalo por “inteiro”, Stefanie, continua os seus estudos de pintura e está convencida que irá ser bem sucedida neste mundo que a apaixona.


“Quero tornar-me numa grande pintora e a expor o meu trabalho por todo o mundo. Sei que ainda tenho um longo caminho a percorrer, mas tenho orgulho em ter partido em busca do meu sonho. Agora que ele finalmente se começa a concretizar estou confiante que estou no bom caminho.”

Por agora, Stefanie, irá concentrar-se nos seus estudos, trabalhar arduamente e desenvolver novos temas e técnicas.


“Irei continuar a trabalhar nas minhas encomendas dentro da minha disponibilidade de tempo, e entretanto irei decidir o tema base para a minha próxima exposição.”


Tradução de Ana Escoval