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Escola Portuguesa de Arte Equestre | 30º Aniversário

A Escola Portuguesa de Arte Equestre celebra, em 2009, 30 anos de existência. Fomos à sua sede, nos jardins do Palácio Nacional de Queluz, conhecer os seus cavaleiros e cavalos, visitar as instalações e assistir aos seus treinos diários, para ajudar a desvendar o fascinante trabalho desta escola, considerada como uma das 4 melhores escolas equestres mundiais.

 

A propósito desta data conversámos com o director em exercício Dr. Filipe Figueiredo (Graciosa), que nos fez um balanço dos últimos 30 anos e nos traçou, em linhas gerais, os projectos para o futuro. Falámos também com outros intervenientes que geralmente não ocupam os lugares de ribalta, mas cujo contributo é essencial para o sucesso do conjunto, nomeadmente o tratador entrançador Sr. Miguel Pires, o actual Correeiro Sr. José de Sousa e o alfaiate Sr. Pedro.

Ouvimos as memórias e recordações de alguns ex-cavaleiros, como mestre Luís Valença, e os cavaleiros olímpicos Carlos Pinto, Daniel Pinto e Miguel Ralão, entre outros.

E porque a equitação é feita de movimento, acções e emoções que muitas vezes transcendem as palavras, a Dressage Portugal, em parceria com a Raio Filmes, produziu dois curtos filmes, focando dois momentos da vida na Escola: a preparação e entrançamento dos cavalos para uma gala e os treinos diários e a apresentação Escola, onde são evidenciados os vários exercícios e coreografias. Estes documentos estão publicamente disponíveis on-line através da plataforma do YouTube, no canal da Dressage Portugal.

 Do mesmo modo estão disponíveis na Galeria | Em Pista  imagens seleccionadas com o intuito de ilustrar com rigor, o dia a dia da EPAE.

 

EPAE | ORIGENS E ACTUALIDADE

 Actualmente a Escola Portuguesa de Arte Equestre (EPAE) tem a sua sede nos jardins do Palácio Nacional de Queluz e é composta por um efectivo de 60 garanhões puro-sangue lusitano da coudelaria de Alter Real (AR), montados pelos 17 cavaleiros que compõem a escola e que os iniciam e ensinam desde os exercícios básicos até aos ares altos que constituem o culminar do ensino e são, sem dúvida, um dos principais momentos das apresentações da escola.

A origem da Escola, que se encontra profundamente documentada no livro “Escola Portuguesa de Arte Equestre” da autoria de Filipe Graciosa, editado pelas edições Inapa aquando do 25º aniversário, remonta a 1979, ano em que foram atribuídos os primeiros 4 cavalos de Alter a 4 cavaleiros: Projecto, ao Dr. Guilherme Borba, Paje, a D. José de Athayde, Plebeu, ao Dr. Filipe Graciosa e Pijú, a Francisco Cancella de Abreu, substituído em 1980 por João Pedro Rodrigues.

A ideia de formar uma escola como esta,  já tinha sido lançada pelo Dr. Ruy d’Andrade. Uma influência tão importante como a do Mestre Nuno Oliveira, de quem foram alunos os cavaleiros que compunham o grupo inicial da Escola, e que ao longo da sua carreira ensinou e apresentou com sucesso vários garanhões da coudelaria de Alter, nomeadamente: Farsista, Curioso, Corsário, Ansioso, Farsola e Soante, e que evidenciou  qualidades e aptidões do cavalo de Alter.

Nesta fase inicial os treinos decorriam “informalmente” no Picadeiro da Fonte Boa, tendo passado em 1981 para a Sociedade Hípica Portuguesa e em 1996, finalmente para Queluz. D. José de Athayde ocupou o cargo de director até 1981, seguido pelo Dr. Guilherme Borba até 2000; desde então o cargo é ocupado pelo Dr. Filipe Graciosa.

Os verdadeiros princípios históricos que suportam a Escola reflectem-se na origem dos seus cavalos, a coudelaria de Alter Real, fundada em 1748; na equitação praticada, a “Real Picaria”, que segue os ensinamentos do tratado de equitação “Luz da Liberal e Nobre Arte da Cavalaria”, escrito em 1790 por Manoel Carlos de Andrade e tendo como responsável técnico o 4º Marquês de Marialva, Mestre Picador do Marquês, cujas qualidades eram tais que “ainda hoje a arte de bem montar a cavalo em Portugal se chama Arte de Marialva” e também nos seus trajes, arreios e música utilizada nas coreografias, que remontam a modelos e obras da mesma época.

A par da sua função como conservadora da tradição equestre da Picaria Real, a Escola tem um papel de grande modernidade, fundamental para a testagem e melhoramento dos cavalos Alter Real, recebendo todos os anos os novos poldros, candidatos a garanhões da raça, para que sejam testados em termos funcionais. Neste âmbito é de salientar o sucesso que alguns exemplares têm alcançado na modalidade de Dressage, nomeadamente o cavalo Rubi montado por Gonçalo Carvalho, vice-campeão nacional em título e que se encontra apurado para o Campeonato da Europa, e o cavalo Guizo descendente directo de cavalos AR que alcançou a medalha de prata por equipas nos Jogos Olímpicos de Atenas em 2004.

Ao longo da sua existência, a EPAE tem contribuído para a formação de cavaleiros de excepção, que têm atingido os mais altos níveis da competição nacional e internacional na modalidade de Dressage, nomeadamente nos Jogos Olímpicos de 2008, como é o caso dos cavaleiros Carlos Pinto, Miguel Ralão e Daniel Pinto, também vencedor da final B da Taça do Mundo FEI em Las Vegas em 2007. Na modalidade de Equitação de Trabalho, o cavaleiro Pedro Torres já por diversas vezes assumiu o título de campeão do mundo. Conta ainda com uma série de ex-cavaleiros que desempenham activamente e com sucesso as actividades de treinadores em Portugal e no estrangeiro, tal como o mestre Luís Valença e cavaleiro Nuno Palma, entre outros.

As qualidades e o mérito da EPAE ganharam finalmente visibilidade e reconhecimento mundial quando em 2007 se apresentou na primeira gala conjunta das 4 Grandes Escolas Equestres Mundiais, realizada em Paris, a par com a Escola Espanhola de Vienna, o Cadre Noir de Saumur e a Real Escola Andaluza de Arte Equestre. Esta apresentação foi em grande parte fruto do esforço e dedicação do actual director da EPAE em colaboração com o Coronel Loïc de La Porte du Theil, do Cadre Noir, e permitiu, definitivamente, abrir as portas para uma troca mais franca de conhecimentos entre as várias culturas equestres.

Num futuro próximo, anunciado para 2010, aguarda-se a concretização de uma ambição antiga, a instalação definitiva numa sede própria –que se encontra actualmente em estudo para a zona da Belém/Ajuda– e que se estima que venha a permitir à escola exercer de forma mais condigna as suas funções, aumentar a sua visibilidade e reabilitar o antigo picadeiro real, actual museu dos coches, para as funções para que foi originalmente projectado.

Termino citando o Director da EPAE:

“Os cavalos de Alter são cada vez melhor, nós temos vontade de trabalhar, assim nos dêem as condições”

 

…Felicidades à Escola!