Coudelaria de Alter Real | AR
Com 261 anos de existência, a Coudelaria de Alter Real, situada na Tapada do Arneiro em Alter do Chão, é a casa desta distinta casta de cavalos lusitanos, que se evidênciam pela sua côr, beleza e funcionalidade.
A propósito dos 30 anos da Escola Portuguesa de Arte Equestre fomos conhecer o local onde nascem os seus cavalos, que se destacam tanto nos ares de alta escola como nas pistas de dressage.
A Coudelaria de Alter situa-se nos extensos 800 ha da Tapada do Arneiro em Alter do Chão, localização que se mantém desde a sua fundação em 1748. Actualmente, a Coudelaria de Alter partilha o seu espaço com a Coudelaria Nacional, com a Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Alter do Chão e o Serviço Nacional Coudélico.
As extensas pastagens da Tapada não são de usufruto exclusivo dos cavalos lusitanos Alter Real; existem ainda exemplares da raça autóctone Portuguesa Sorraia, Lusitanos, Puro-sangue Árabe, Português de Desporto e Anglo-árabes, pertença da Coudelaria Nacional.
Tendo sido criada durante o reinado de D. João V. Em 1911 foi integrada no Ministério da Guerra como Coudelaria Militar até que em 1942 passou para o Ministério da Economia sob a jurisdição da Direcção–Geral dos Serviços Pecuários e, muito recentemente, para a gestão da Fundação de Alter Real, criada pelo Decreto Lei Nº 48/2007 de 27 de Fevereiro, que determina como fins principais da Fundação a “manutenção e desenvolvimento do património genético animal das raças Lusitana, Sorraia e garrano, da Escola Portuguesa de arte Equestre, bem como do Laboratório de Genética Molecular, sem prejuízo da prossecução dos demais fins”.
Actualmente a éguada Alter Real é composta por 60 éguas, cuja vida na coudelaria é marcada por rotinas, que variam ao longo do ano, associadas aos vários momentos que marcam a criação cavalar, desde a concepção, passando pelas gestação, até ao nascimento e selecção dos poldros, e mais tarde o seu desbaste.
A visita à coudelaria tem inicio no pátio D. João VI, onde se localiza a unidade de desbaste, de selecção e de estágio e que, como refere o Eng.º Francisco Beja que teve a amabilidade de nos acompanhar nesta completa visita, é “o coração das coudelarias”. Aqui são testados os poldros e poldras, entre os três e quatro anos de idade.
Os poldros, são desmamados aos 8 meses, seguindo os machos para o Potril da Azambuja que se situa numa das ilhas do rio Tejo, enquanto as poldras permanecem na Tapada. Durante a sua permanência no potril, os poldros são acompanhados diariamente por um tratador que os alimenta e verifica o estado sanitário e higiénico. Este é o único contacto humano que têm os poldros para além dos controlos veterinários, não havendo qualquer outro processo de socialização.
Quando regressam à coudelaria “os poldros vêm completamente serreiros”. É um momento interessante para observar o seu comportamento e como certas linhas influenciam o temperamento da sua descendência. Francisco Beja refere que “normalmente, os mais fortes são os melhores, temos é que os convencer a utilizar essa força para fazerem o que pretendemos”. Salienta ainda que desde que esta unidade funciona, já recebeu três piaras de 60 poldros, com os quais “não tiveram qualquer tipo de problema”.
A taxa de sucesso de cada piara da coudelaria de Alter é das mais elevadas a nível nacional, no entanto a progressão dos seus produtos com vista ao sucesso tanto a nível desportivo como a nível de admissão como garanhões, dependerá não só da sua genética, mas também das condições de maneio em termos de alimentação e saúde e da eficácia do trabalho a que forem sujeitos. A título de exemplo, Francisco Beja refere o cavalo Rubi, entregue ao cavaleiro da Escola Portuguesa de Arte Equestre (EPAE) Gonçalo Carvalho que “muito bem tem conseguido levar este cavalo ao mais alto nível da competição nacional, e esperemos, internacional”.
Para a EPAE, que nos últimos 30 anos tem desempenhado um papel fundamental na selecção e testagem dos cavalos da coudelaria, saem ainda todos os anos os exemplares necessários para repor a sua fileira em substituição dos cavalos que saem para leilão ou que deixam de estar aptos para a utilização na escola.
A par do reconhecimento mundial que os cavalos de Alter Real têm através da Escola Portuguesa de Arte Equestre, têm também vindo a afirmar-se em termos desportivos quer na modalidade de Dressage, com uma presença nos Jogos Olímpicos pelo cavalo Guizo, descendente directo de cavalos de Alter e pertencente à coudelaria Fundação Eugénio António de Almeida, montado por Juan Antonio Jiménez, como na Atrelagem, com dois títulos mundiais por Quijote e Altivo, conduzidos por Felix Brasseur. A nível nacional, o destaque vai para o cavalo Rubi, já referido, e mais recentemente para os cavalos Viheste e Aljustrel em competição em 2009, montados pelo cavaleiro Duarte Nogueira.
O sucesso desportivo é apenas uma das vertentes da coudelaria. O Eng.º Vítor Barros, presidente da Fundação Alter Real, faz um balanço muito positivo destes primeiros dois anos de existência. A reestruturação da coudelaria começou ao nível do pessoal, através da optimização dos recursos existentes e a selecção das pessoas mais habilitadas para cada tipo de função. Simultaneamente foi necessário encontrar fundadores interessados em investir financeiramente para pôr de pé este projecto. Neste momento, refere o Eng.º Vítor Barros, “conseguimos que não existam cavalos de 5 anos por desbastar e o Laboratório de Genética Molecular que é fundamental para o funcionamento do registo da Raça Lusitana consegue dar resposta em cerca de três semanas, quando anteriormente o tempo médio de espera era de 9 meses”.
A criação cavalar é a mais importante função da coudelaria, no entanto estão previstos outros investimentos com o intuito de dinamizar o complexo da Tapada do Arneiro, aumentar o número de visitantes, e diversificar a origem das receitas. Como nos referiu o Eng.º Vítor Barros, estão programadas a médio prazo intervenções em vários âmbitos. No plano desportivo a Fundação pretende dinamizar uma competição desportiva no formato de Jogos Equestres Nacionais enquadrando todas as modalidades; em termos de turismo e lazer, estão programadas infra-estruturas de lazer que permitam usufruir dos amplos espaços da Tapada, através da beneficiação florestal e de circuitos de visitas pedonais e cicláveis, bem como uma unidade hoteleira. Prevê-se ainda a definição de um sistema de apostas ligado às corridas de cavalos.
Outro grande investimento programado pela Fundação a muito curto prazo é a nova sede para Escola Portuguesa de Arte Equestre em Lisboa, na zona de Belém, um projecto que permitirá sem dúvida constituir uma montra privilegiada do cavalo Alter Real e proporcionar as condições necessárias ao seu estudo e desenvolvimento.
A Coudelaria de Alter, a par da beleza natural e paisagística que oferece pelo local onde se encontra, é detentora de um valor único: o cavalo Alter Real. É sem dúvida um espaço que deve ser visitado e para isso existe um programa de visitas guiadas, que incluem não só visitas ligadas ao sector equestre, mas também demonstração de Falcoaria ,outra das interessantes valências desta coudelaria, e às suas instalações, de que destacamos o edifício das Casas Altas, o Museu do Cavalo e a Casa dos Trens.
Dois momentos de rara beleza que podemos desfrutar quando se visita a coudelaria, são, pela manhã, a Chegada da Éguada que vem do campo e o seu regresso ao fim da tarde. A presença e uniformidade morfológica das éguas Alter Real tornam sem dúvida estes momentos numa experiência de grande valor estético.
Sugerimos a visita ao Leilão que terá lugar dia 24 de Abril (consulte a notícia), como comprador ou apenas como espectador. Será sem dúvida uma oportunidade de ficar a conhecer mais de perto o cavalo Alter Real e viver um dos momentos altos da Coudelaria.
Saiba mais sobre a Coudelaria de Alter, aqui e na nossa Galeria de imagens.













